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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O que foi originado da obra Os Desvalidos

O filme Canta Maria, originado da obra Os Desvalidos foi disponibilizado dividido em cinco partes:

Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:


Parte 4:


Parte 5:

Obra da dança da turma: Os Desvalidos, de Francisco Dantas

         Irremediáveis são as mazelas e infortúnios vividos pelos personagens de os Desvalidos, segundo romance de Francisco Dantas (Companhia das Letras, 222 páginas, 1993). Eles cumprem uma sina que os iguala, "conforme o quilate de cada um.” O título já contém o prefixo de negação de uma vida digna, pois "desvalidos" são aqueles que não têm valimento, ou que não têm valia: uns pobres desgraçados. Assim é Coriolano, que tem no nome a metáfora de sua condição miserável de vida, condição esta animalizada - lembrando o couro do animal que fornece a matéria-prima para o seu mísero sustento na confecção de tamancos. Ele sempre se perguntava quem fora o culpado do trompaço que entortava sua vida tão bem encaminhada. Sina talvez seja a palavra-chave do romance. Pois não cumprem um destino melhor outros desvalidos. O caso de tio Filipe é exemplar. O nome revela sua vocação para "amigos de cavalos". Sempre vitoriosos em suas andanças, acaba também sendo arrastado para o infortúnio, cumprindo um destino rumo à anulação. Ele é casado com Maria Melona, uma espécie de Diadorim que se traveste em homem para entrar no bando de Lampião e, com isso, tentar encontrar também sua identificação feminina. Até mesmo os personagens históricos despencam desse precipício, como é o caso de Lampião. Quando um personagem anuncia: "Lampiãããão Morreeeeeu!…", no início do romance, anuncia também o fim de uma época marcada pela violência e desatinos.Para esta galeria de pobresdiabos, o autor oferece uma "vidinha caipora". Para cada um a vida revela um punhado de desgraça sem a possibilidade de um futuro promissor. "É a Sina que iguala todos nós". ou "Pose, minha gente, quem tira e bota é o Zinabre do dinheiro! O resto é conversa fiada", no dizer angustiado do próprio Coriolano. Regionalismo Francisco Dantas estreou na literatura em 1991 com o romance “Coivara de Memória”. Dois anos depois surpreendeu com estes Os Desvalidos, em que retoma a tradição do romance regional do Nordeste. Optou por uma literatura realista, pretendendo testemunhar o mundo cotidiano, informar sobre hábitos e tradições populares da região nordestina e principalmente falar dos problemas humanos sociais mais agudos.Como diz Alfredo Bosi, na orelha do livro "esculpir a figura da dignidade na matéria do sertanejo nordestino" é o objetivo do narrador. Nos rastros de Guimarães Rosa, "a sua prosa alcança o equilíbrio árduo entre a oralidade da tradição, cujos veios não cessam perseguir, e uma dicção empenhadamente literária que modula o fraseado clássico até os confins da maneira". O romance, escrito com os termos próprios da região do Nordeste vai se desenvolvendo com cenas fortes, mostrando a vida trágica e miserável da região. É pertinente associar Os desvalidos com Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Como este, apresenta uma estrutura moderna, dominada pela força da estória fascinante. O trabalho apurado com a linguagem, o uso do discurso indireto livre, a queda da linearidade do enredo e a capacidade de entrar na psicologia do rústico são algumas das peculiaridades que aprisionam o leitor que, sem escolha, também cumpre uma sina: se embevecer, exercitar sua reflexão e apurar sua sensibilidade, o que resulta numa tarefa agradável.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Surrealismo


Surgimento e história do movimento surrealista

O surrealismo surgiu na França na década de 1920. Este movimento foi significativamente influenciado pelas teses psicanalíticas de Sigmund Freud, que mostram a importância do inconsciente na criatividade do ser humano.

        De acordo com Freud, o homem deve libertar sua mente da lógica imposta pelos padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade e dar vazão aos sonhos e as informações do inconsciente. O pai da psicanálise, não segue os valores sociais da burguesia como, por exemplo, o status, a família e a pátria.

O marco de início do surrealismo foi a publicação do Manifesto Surrealista, feito pelo poeta e psiquiatra francês André Breton, em 1924. Neste manifesto, foram declarados os principais princípios do movimento surrealista: ausência da lógica, adoção de uma realidade "maravilhosa" (superior), exaltação da liberdade de criação, entre outros.

Os artistas ligados ao surrealismo, além de rejeitarem os valores ditados pela burguesia, vão criar obras repletas de humor, sonhos, utopias e qualquer informação contrária a lógica.

Outros marcos importantes do surrealismo foram a publicação da revista A Revolução Socialista e o segundo Manifesto Surrealista, ambos de 1929. Os artistas do surrealismo que de destacaram mais na década de 1920 foram: o escultor italiano Alberto Giacometti, o dramaturgo francês Antonin Artaud, os pintores espanhóis Salvador Dalí e Joan Miró, o belga René Magritte, o alemão Max Ernst, e o cineasta espanhol Luis Buñuel e os escritores franceses Paul Éluard, Louis Aragon e Jacques Prévert.

A década de 1930 é conhecida como o período de expansão surrealista pelo mundo. Artistas, cineastas, dramaturgos e escritores do mundo todo assimilam as idéias e o estilo do surrealismo. Porém, no final da década de 1960 o grupo entra em crise e acaba se dissolvendo.

ARTES PLÁSTICAS

Foi através da pintura que as ideias do surrealismo foram melhor expressadas. Através da tela e das tintas, os artistas plásticos colocam suas emoções, seu inconsciente e representavam o mundo concreto.

O movimento artístico dividiu-se em duas correntes. A primeira, representada principalmente por Salvador Dalí, trabalha com a distorção e justaposição de imagens conhecidas. Sua obra mais conhecida neste estilo é A Persistência da Memória. Nesta obra, aparecem relógios desenhados de tal forma que parecem estar derretendo.

Os artistas da segunda corrente libertam a mente e dão vazão ao inconsciente, sem nenhum controle da razão. Joan Miró e Max Ernst representam muito bem esta corrente. As telas saem com formas curvas, linhas fluidas e com muitas cores. O Carnaval de Arlequim e A Cantora Melancólica, são duas pinturas de Miró que representam muito bem esta vertente do surrealismo.

LITERATURA  

Os escritores do surrealismo rejeitaram o romance e a poesia em estilos tradicionais e que representavam os valores sociais da burguesia. As poesias e textos deste movimento são marcados pela livre associação de ideias, frases montadas com palavras recortadas de revistas e jornais e muitas imagens e ideias do inconsciente. O poeta Paul Éluard, autor de Capital da Dor e André Breton, autor de O Amor Louco, Nadja e Os Vasos Comunicantes, são representantes da literatura surrealista.


CINEMA  

Os cineastas também quebraram com o tradicionalismo cinematográfico. Demonstram uma despreocupação total com o enredo e com a história do filme. Os ideais da burguesia são combatidos e os desejos não racionais afloram. Dois filmes representativos deste gênero do cinema são Um Cão Andaluz (1928) e L'Âge D'Or (1930) de Luís Buñuel em parceria com Salvador Dalí.

TEATRO

O dramaturgo francês Antonin Artaud é o maior representante do surrealismo no teatro, através de seu teatro da crueldade. Artaud, buscava através de suas peças teatrais, livrar o espectador das regras impostas pela civilização e assim despertar o inconsciente da plateia. Um das técnicas usadas pelo dramaturgo foi unir palco e platéia, durante a realização das peças. No livro O Teatro e seu duplo, Arnaud demonstra sua teoria.

Sua obra mais conhecida é Os Cenci de 1935, onde ele conta a vida de uma família italiana durante a fase do Renascimento.

Nas décadas de 1940 e 1950, os princípios do surrealismo influenciaram o teatro do absurdo.

O SURREALISMO NO BRASIL  

As ideias do surrealismo foram absorvidas na década de 1920 e 1930 pelo movimento modernista no Brasil. Podemos observar características surrealistas nas pinturas Nu e Abaporu de Ismael Nery e da artista Tarsila do Amaral, respectivamente.

A obra Eu Vi o Mundo, Ele Começava no Recife, do artista pernambucano Cícero Dias, apresenta muitas características do surrealismo. As esculturas de Maria Martins também caminham nesta direção.



Francisco Dantas

             Francisco J. C. Dantas nasceu no engenho de um avô no município de Riachão do Dantas em 18 de outubro de 1941. É considerado um autodidata, por não ter a oportunidade de estudar em idade normal. Estudou supletivo, exercendo vida acadêmica no Curso de Letras-Português na UFS (Universidade Federal de Sergipe), somente, aos 30 anos de idade, se destacando e se revelando um grande estudante. Fez mestrado e doutorado fora do Estado de Sergipe, trabalhou como professor da UFS. É considerada uma pessoa reservada por preferir viver de forma isolada, na busca de ambientes campestres como sua fazenda no município de Itabaianinha, palco que lhe serve de inspiração para a produção dos seus textos. Seu primeiro Romance, Os Desvalidos, fora lançado quando o autor estava com 50 anos.
             Francisco Dantas é considerado um autor fiel à realidade e à cultura nordestina, influenciado pelos escritores Juan Carlos Onetti, William Faulkner, e Mario Vargas Llosa. Escreveu vários contos em jornais e revistas. Suas obras são consideradas pós-modernistas por causa da junção do popular com o erudito, característica própria dessa corrente literária.
            As principais obras desse autor são consideradas Coivara da Memória, em que é recriado o regionalismo brasileiro, e Os Desvalidos. Esses Romances podem ser considerados os que solidificaram a literatura sergipana.
           Em Os Desvalidos, há como figura Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião, que é visto como um homem normal e não um “monstro”, sendo a primeira vez em que o personagem histórico é visto dessa forma.

Luís Fernando Veríssimo


Luís Fernando Veríssimo (1936) é escritor brasileiro. Famoso por suas crônicas e contos de humor. É também jornalista, tradutor, roteirista de programas para televisão e músico. É filho do escritor Érico Veríssimo.
Luís Fernando Veríssimo (1936) nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 26 de setembro de 1936. Filho do escritor Érico Veríssimo e de Mafalda Halfen Volpe. Em 1941 sua família foi morar nos Estados Unidos, onde fez o curso primário em São Francisco e Los Angeles. Fez o curso secundário no Roosevelt High School, em Washington. Desenvolveu o gosto pelo Jazz, chegando a ter aulas de saxofone.
Em 1956, de volta ao Brasil, retornou para Porto Alegre, onde começou a trabalhar na Editora Globo, no departamento de arte. Em 1960 passou a integrar o conjunto musical Renato e seu Sexteto. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como tradutor e redator publicitário. Em 1963 casou-se com a carioca Lúcia Helena Massa, com quem teve três filhos.
Em 1967, voltou para Porto Alegre, ingressou no jornal Zero Hora, trabalhando como revisor de textos. A partir de 1969 passou a assinar sua própria coluna diária. No mesmo ano passou a redigir para a agência de publicidade MPM Propaganda.
Entre 1970 e 1975 trabalhou no jornal Folha da Manhã, escrevendo sobre esporte, música, cinema, literatura e política. Seus contos eram sempre bem humorados. Em 1973 publicou "O Popular", uma coletânea de textos já publicados nos jornais onde trabalhava.
Em 1975 retornou ao jornal Zero Hora e passou a escrever para o Jornal do Brasil. Nesse mesmo ano publicou "A Grande Mulher Nua". Em 1979 publica "Ed Mort e Outras Histórias", livro de crônicas, cujo personagem viria a ser um dos mais populares de sua obra. Entre 1980 e 1981 morou em Nova Iorque, época em que escreveu "Traçando Nova Iorque".
Luís Fernando Veríssimo lança em 1981, na Feira do Livro de Porto Alegre, o livro de crônicas "O Analista de Bagé", que se esgotou em dois dias. Entre 1982 e 1989, foi redator semanal, com artigos bem humorados, para a revista Veja. Em 1994 publica "Comédias da Vida Privada", que foi adaptada para minissérie na televisão. Em 1995 passou a integrar o grupo Jazz 6, que lançou os CDs "Agora é Hora" (1997, "Speak Low" (2000), "A Bossa do Jazz" (2003) e "Four" (2006).
Em 2003, seu livro "Clube dos Anjos", na versão em inglês (The Club of Angels), foi escolhido pela New York Public Library, um dos 25 melhores livros do ano. Em 2004 recebeu o Prix Deus Oceans do Festival de Culturas Latinas de Biarritz, França. Recebeu o prêmio Juca Pato e foi considerado o Intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores em 1997.
No dia 21 de novembro de 2012, o escritor foi internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em consequência do agravamento de uma gripe do tipo influenza A. Durante 24 dias de internação, 12 foram passados na UTI. Já recuperado, recebeu alta no dia 14 de dezembro. No dia 3 de janeiro, escreve sua primeira coluna para o jornal Estado de São Paulo.



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

              Renato Russo


              Renato ‘Russo’ Manfredini Júnior (27 de março de 1960 / 11 de outubro de 1996) nasceu no Rio de Janeiro. Filho do funcionário público do Banco do Brasil, Renato Manfredini, com a professora de inglês, Maria do Carmo. Viveu dos sete aos dez anos em Nova York (EUA), por conta de uma transferência profissional de seu pai.

              Aos 13 anos, de volta à Brasília, Renato estudava e levava uma vida típica dos adolescentes de classe média da Capital Federal. Quando, entre os 15 e os 17 anos, enfrentou uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o deixou por um período entre a cama e a cadeira de rodas. Já nesta época criava bandas e movimentos imaginários. Começou também a compor letras e músicas compulsivamente em casa.
              Em seguida formou a banda Aborto Elétrico, em 1979. Em 82 abandonou o Aborto Elétrico e passou a fazer trabalhos solos. Neste período ficou conhecido como "O Trovador Solitário".
             A Legião Urbana surgiu quando Renato se juntou a Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná (Hoje conhecido como Kadu Lambach) e Paulo ‘Paulista’ Guimarães, ainda em 1982. Ico-Ouro Preto também tocou guitarra em poucos shows do início da banda. No ano seguinte, Paulista e Paraná deixam a formação original e Dado Villa-Lobos assume a guitarra.
              Renato morreu em 1996 com apenas 36 anos por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária, consequências do contágio pelo vírus HIV. Ele descobriu a doença em 1989, mas nunca assumiu publicamente ser portador.
          Em 1997 é lançado o disco póstumo “O Último Solo”, com gravações inéditas que não entraram em seus CDs solo anteriores. Em 2003, sete anos após a morte de Russo, a EMI lança “Presente”, trazendo duetos e trechos de entrevistas gravadas em áudio.
          Renato Russo é um clássico eterno de nossa cultura. Ele não foi simplesmente autor ou intérprete. Permanece como um ídolo de milhões de pessoas que, até hoje, mesmo depois de passados 18 anos de sua morte, admiram e divulgam suas ideias, letras, músicas e imagem. Sua obra reúne o lirismo da MPB com a energia do movimento Punk Rock dos anos 80. As letras poéticas são rebuscadas e têm grande apelo popular.


              Se estivesse vivo, completaria 56 anos dia 27 de março de 2016.